
Sem nada de relevante para dizer, milhões de brasileiros se lançam à sorte quando enviam suas fitas para uma avaliação da Rede Globo. Fica evidente, ao examiná-las, que na mente de grande parte daqueles que pleiteiam uma vaga no BBB 8, o tamanho da mini-saia e do biquíni são fatores decisivos para se alcançar o sonho de se tornar alguém famoso. Além das óbvias candidatas às capas de revistas, é possível encontrar também vídeos toscos, sem nenhum sentido aparente, nos quais os concorrentes perdem seu tempo fazendo caretas, malabarismos ou dançando grotescamente. Um grupo minoritário é formado por aqueles que, em lampejos de inteligência, percebem que é preciso passar alguma mensagem ou simplesmente ser original - ao invés de interpretar um personagem. Este tipo de candidato costuma ser subjugado à ditadura global, na qual predomina as modelos sem cérebro e os fortões raivosos prontos para uma boa briga. O Brasil agradece...
Por textos anteriores, o autor tem plena consciência que não se deve criticar a diversão do brasileiro - mesmo tendo dezenas de feriados ao longo de um ano e uma semana de estagnação eufórica no mês de fevereiro. A primeira acusação que recai sobre aquele que o faz é a de 'intelectualóide'. Sim, tecer críticas ao BBB alça qualquer indivíduo à condição de intelectual, porque o programa global simboliza justamente as culturas de massa que impregnam a consciência da população brasileira com valores e conceitos distorcidos que a distancia de um comportamento de correção e de uma evolução intelectual mais substancial. A idéia vendida de fama e riqueza em um curto período de tempo leva aos jovens a percepção que o trabalho não é tão importante na medida em que há alternativas mais rápidas de conseguir fortuna e reconhecimento. E assim os brasileiros, ano a ano, rastejam na lama midiática fabricante de consciências vazias, que não abrem mão do 'conforto' da alienação porque as mudanças exigem um longo caminho a ser percorrido.
Artur Salles Lisboa de Oliveira.
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